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O engenheiro florestal na gestão de incêndios florestais

O maior incêndio florestal já visto em Portugal acendeu o debate quanto a preparação do Brasil para com florestas plantadas e nativas do país


O recente incêndio florestal em grande escala na região central de Portugal, nomeadamente na zona de Pedrógão Grande, que vitimou 64 pessoas, 157 feridos, e mais de 40.000 hectares de florestas atingidas, segundo a agência portuguesa SIC Notícias, o especialista em incêndios florestais Drº Xavier Viegas revelou que terá sido a "rápida propagação" do incêndio que conduziu às várias vítimas, fazendo deste um dos mais graves incêndios do mundo dos últimos anos. O professor universitário acrescentou, ainda, que a falta de limpeza das florestas e da envolvente das casas, bem como as características do terreno, terão contribuído para a extensão deste incêndio com vários focos, apesar da afirmação das entidades do governo suspeitarem que a causa foi uma trovoada seca em uma árvore.
A situação abre no setor florestal brasileiro grandes debates sobre a preparação do país para situações semelhantes, sobretudo à silvicultura brasileira, uma vez que os incêndios de Portugal ocorreram principalmente em sítio com forte presença da Eucaliptocultura, o que condicionou muita repercussão nacional em termos de associação do fogo às espécies do Eucalyptus spp.
Neste cenário, a Central Florestal tem procurado destacar o papel do Engenheiro Florestal na gestão dos recursos, e nomeadamente de todas questões de competências relativas a este profissional. Neste post será destacado a atribuição do Eng. Florestal no ordenamento florestal e de incêndios florestais, de modo a caracterizar os principais problemas decorrentes, e como podem ser prevenidos, controlados e combatidos. É importante considerar a exponencial qualificação destes profissionais à temática dos fogos, uma vez que são preparados academicamente com disciplina curricular específica e investigações científicas na geração de soluções em técnicas de predição, prevenção e combate à incêndios em florestas nativas e plantadas.

        Os fatores que levam aos Incêndios Florestais

Os incêndios florestais constituem em um dos mais danosos eventos que provocam alterações nas formações vegetais, sejam elas naturais ou plantadas. Muitas são as causas de sua origem, entretanto, as mais frequentes e preocupantes reúnem-se em pequeno grupo onde o homem se destaca, principalmente por meio de suas atividades no meio rural. Os agentes causadores de danos ao ambiente apresentam diferenças significativas entre países, ou até mesmo entre regiões, e podem ser representados, principalmente, pelas intempéries climáticas, pelas doenças, pelas pragas e pelas atividades antrópicas (Ribeiro, 2004)1.
O autor destaca ainda que, dentre as atividades do homem, o maior agente de danos tem sido atribuído ao uso irresponsável do fogo, o qual tem provocado transformações de difícil compreensão e muitas vezes desconhecidas, dada a complexidade dos fatores envolvidos no processo da combustão e do comportamento do fogo.

Ordenamento territorial e florestal na prevenção dos incêndios

Algumas estratégias em povoamentos florestais são grandes aliadas à prevenção dos incêndios florestais, dentre elas, os plantios em mosaicos com espécies nativas, tais como as espécies designadas por “árvores bombeiras”, que não só são resistentes ao fogo como também contribuem para travar o avanço das chamas. De características folhosas, elas mantêm o ambiente relativamente úmido, o que ajuda a travar o avanço do fogo. 
Existem ainda os aceiros, que são estruturas destinadas a evitar a propagação do fogo, principalmente vindo de outras áreas vizinhas, com largura entre 10 a 15 metros, a depender do tamanho da área plantada. 
As guaritas florestais, geralmente instaladas pelas empresas do setor, são muito importantes para observação e detecção de focos de incêndios, de tal forma que se possa antecipar as ações de controle e combate, e evitar-se maiores danos ambientais, econômicos e sociais. A figura abaixo destaca estas características estratégicas na prevenção aos incêndios. 


A quem é que competem as ações da prevenção?

É preciso compreender quem são os responsáveis pela prevenção aos incêndios florestais, de tal forma que facilite a distinção das responsabilidades tomadas. As entidades envolvidas no sistema de prevenção de fogos florestais devem ser as seguintes:

- População em geral (Zonas urbana e rural);

- Proprietários florestais privados (produtores não industriais);

- Empresas do segmento florestal (pasta celulósica, papel, energia e outros);

- Governos nacional, estadual e municipal (Ministério da Agricultura; Ministério do Meio Ambiente e municípios).

    Mas onde é que pode atuar o Engenheiro Florestal?

A proteção de territórios contra incêndios florestais tem sua história atrelada à motivação para a criação do curso de Engenharia Florestal no Brasil e desde a instalação do curso no Brasil, o assunto vem sendo tratado regularmente em forma de disciplina nas universidades do país.
Com o aumento da área povoada com florestas plantadas no Brasil e a crescente preocupação com a conservação dos recursos naturais, principalmente das unidades de conservação, exigem a cada dia o aprimoramento dos equipamentos, dos produtos, das técnicas de prevenção e de combate, da capacitação das brigadas de incêndios, guardas florestais e da implementação de uma silvicultura preventiva e capaz de utilizar novas tecnologias de monitoramento e de detecção de incêndios florestais.
O profissional Engenheiro Florestal deve ser capaz de desenvolver estudos, pesquisas e projetos relacionados ao planejamento de empreendimentos florestais livres dos riscos de incêndios e da proteção de áreas delimitadas à proteção.
Dentre as competências do profissional, estão algumas das seguintes atribuições 2:

- Desenvolver estudos e modelos sobre comportamento e ecologia do fogo, bem como dos efeitos seus efeitos em diferentes ecossistemas, pautados nas características de cara domínio vegetacional;
Realizar treinamentos e capacitações em controle de incêndios florestais, coordenação de equipes, brigadas e guardas florestais;
- Desenvolver atividades educativas (Educação Ambiental) visando a conservação e a proteção de recursos naturais, que possam envolver sociedade, produtores, empresas, dentre outros;
- Elaborar Planos de Queima Controlada, Planos de Prevenção, Controle e Combate à incêndios em zonas rurais e florestais, além de poder realizar perícias e laudos ambientais, desenvolver, testar e aprimorar técnicas, produtos e equipamentos para prevenção e combate aos incêndios florestais;
Em análises em Sistemas de Informações Geográficas, o Eng. Florestal pode desenvolver produtos em cartografias para Zoneamento de Risco para florestas de produção ou proteção.
Pode estar associado à ONGs, entidades do governo (ICMbio, Prevfogo, dentre outras), instituições de pesquisa ou ensino, empresas privadas do setor celulósicos ou de energia, consultorias autônomas;
Nota 1:
1 http://revistas.ufpr.br/floresta/article/download/2403/2011

2 Baseado em Planos de Cursos de Universidades brasileiras e de empresa especializada no assunto (Afocelca – Prevenção e Combate a Incêndios florestais).

Informação extra! 


A Central Florestal entrevistou uma das maiores referências em assuntos florestais de Portugal, o Drº Domingos Lopes, da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD). Esta entrevista será publicada em breve! Fiquem atentos às nossas redes sociais.


Um comentário:

  1. Primeiramente, parabéns pela obra, estou fazendo uma resenha deste post, e gostaria de identificar o autor e colaboradores desse texto em minha resenha. Estarei no aguardo.

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