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Exclusivo: Com Parque Nacional prestes a fechar as portas no Piauí, estudantes brasileiros se mobilizam

Repasses do Governo Federal estão esgotando e Patrimônio Mundial da UNESCO poderá encerrar suas atividades no final deste mês

     Maior concentração de pinturas rupestres do mundo, localizada no sertão do Piauí, na cidade de São Raimundo Nonato, o Parque Nacional da Serra da Capivara, considerado Patrimônio Mundial da Unesco, poderá encerrar suas atividades no final do mês de Julho deste ano. A informação foi confirmada pela Arqueóloga Niède Guidon, presidente da Fundação Museu do Homem Americano (Fumdham), que estuda demitir os últimos funcionários que ainda atuam no local, e veiculada pela imprensa piauiense. 
"Pra mim é o fim de tudo isso. Construímos um parque de primeiro mundo, único nas Américas, e tudo isso pode ser destruído!", lamenta Niéde Guidon sobre a situação do Parque da Serra da Capivara.
Niède Guidon, pioneira na arqueologia do Brasil e uma das maiores referências mundiais no segmento.










Eu era professora em Paris, filha de pai francês e mãe brasileira, comecei a trabalhar no Brasil, fazia cursos com meus alunos e em 1992 o governo brasileiro pediu à França para me emprestar para que eu fizesse o projeto para proteção da Serra da Capivara, porque sendo patrimônio da humanidade é obrigação do governo brasileiro protegê-lo. Então a França me emprestou, vim para cá, fiz todo esse projeto. Deixei de morar em Paris para morar em São Raimundo Nonato para defender esse patrimônio e não consegui. Realmente um fracasso total
A falta de recursos financeiros ameaça o funcionamento do parque. Nos últimos anos, o parque teve uma queda significativa no número de funcionários. Dos 270 que atuavam no local, apenas 30 permanecem trabalhando, todos com aviso prévio de demissão.
"O governo federal as vezes ajudou, mas nunca de maneira a nos outorgar um orçamento fixo que permitisse a manutenção do corpo de funcionários necessário para manter a proteção do parque", diz a Arqueóloga.
Parque apresenta paisagens exuberantes e muita
história sobre o homem americano. Foto: ICMbio
   Das 28 guaritas de proteção, apenas seis continuam funcionando. Nos últimos meses, os repasses oriundos do governo federal e empresas privadas, praticamente, esgotaram, o que obrigou a administração do Parque a cortar gastos e demitir funcionários. A última esperança para a sobrevivência do trabalho é pode ser o cumprimento da decisão judicial proferida em fevereiro pelo juiz federal Pablo Baldivieso, que determinou a União repasse, de maneira emergencial, R$ 4.493.145 para que seja feita a manutenção e conservação do parque.
Paredão com pinturas rupestres. Foto:Veja
  Por conta de uma série de impasses judiciais, o recurso nunca chegou às mãos dos administradores da Serra da Capivara. Segundo Niède Guidon, se isso não acontecer até o próximo dia 30 de julho, a Fundação Museu do Homem Americano (Fumdham) pode demitir os últimos 30 funcionários, e encerrar suas atividades no Piauí.
“O único recurso que temos assegurado é esse que o juiz determinou, mas até agora não foi repassado ao parque. Se o dinheiro não chegar até 30 de julho, não vamos ter condições de realizar o pagamento dos funcionários. O parque, praticamente, vai fechar as portas”, pontua Niéde em entrevista ao Jornal O Dia.
Pitura Rupestre marca do Parque Nacional, representa
os animais de caça. Foto: G1.
  Niède Guidon afirma ter tirado recursos do próprio bolso, para pagar os funcionários do parque, nos últimos meses. “Tive que usar do meu dinheiro pessoal, só que não posso mais ficar gastando”, comenta a arqueóloga, ao lembrar que para a manutenção do Parque Nacional da Serra da Capivara são necessários, pelo menos, R$ 400 mil mensais. 
   Além do pagamento dos funcionários, o parque necessita de uma reforma emergencial em sua estrutura. Grande parte das guaritas está danificada, o que facilita a ação de vândalos e de caçadores no interior das dependências da Serra da Capivara.
Ao falar sobre a situação do Parque Nacional da Serra da Capivara, projeto a qual dedicou grande parte de sua vida, Niède Guidon lamenta, e diz que, caso os recursos não venham, pretende ir embora do Piauí. “O Sentimento que fica é que perdi meu tempo. Fizemos um parque nacional com estrutura de primeiro mundo, mas, no Brasil, não funciona”, pontua.
Estudantes se mobilizam pela Serra da Capivara
    Diante da problemática em torno da complexa crise financeira que afetou o Parque Nacional, reuniram-se um grupo de estudantes de São Paulo mobilizados em apoiar a causa em resgatar ações que ajudem ao restabelecimento do Parque.

O Projeto

    Inspirados nos grupos SOS Serra da Capivara e Somos Todos Capivaras, hoje parceiros, criaram uma página no facebook, onde o crescimento exponencial resultou na criação de uma rede nacional de apoio ao parque e à população do entorno. Atualmente, a equipe conta com profissionais, instituições e empresas parceiras de todo o Brasil que ajudam voluntariamente. Com essa rede, pretende-se estruturar um projeto de apoio permanente à região.
O vídeo abaixo apresenta a proposta do Projeto Expedição Serra da Capivara:

     Com objetivo de atuar em conjunto com todos os agentes envolvidos dentro e fora do parque, desenhando os projetos de forma colaborativa. O carro chefe serão os estudantes da região, especialmente da Universidade do Vale do São Francisco, do Instituto Federal do Piauí e da Universidade Estadual do Piauí.  As equipes já estão trabalhando diretamente com a Fundação do Homem Americano (FUMDHAM) e o ICMBio, entidades responsáveis pela administração do parque, e com as associações de guias.
     Para iniciar esse projeto de longo prazo, duas equipes de campo viajam nesse mês de Julho para São Raimundo Nonato, cidade-sede do parque. A primeira equipe, entre os dias 11/07 e 21/07, fará um trabalho de reconhecimento de duas comunidades vizinhas do parque: Sitio do Mocó e Novo Zabelê. Através de atividades dinâmicas se buscará conhecer as comunidades e seus desejos, para futuramente atendê-los. A segunda equipe fará um estudo de potencial turístico da região, analisando e catalogando todos os pontos turísticos, hospedagens, restaurantes, etc. 
Primeiras ações com as comunidades do entorno 
do Parque já iniciaram.
    Com o material produzido durante a expedição, viabilizará os trabalhos para desenvolvimento de ações desenhadas sob medida para a população e as instituições locais. A equipe de comunicação ficará responsável pela formulação de uma campanha publicitária para a região e na criação de um site institucional do parque. A equipe econômica e jurídica buscará leis que possam beneficiar a região e trabalhará na criação de um fundo de doações (endowment fund) para o parque. 


Estudante e organizadora Marília Emília em ação inicial na Serra da Capivara, Piauí.
Como Ajudar

    A equipe é formada majoritariamente por estudantes, a Fundação do Homem Americano fornecerá hospedagem a equipe durante os 20 dias de trabalho sem custo nenhum. A equipe local, que aumenta a cada dia,  ajudará com o transporte interno (cidade-sede para as comunidades ao redor e para o parque) e a realização das atividades. Os voluntários viajantes estão arcando com todos os custos de passagem de avião e ônibus por conta própria!
   Para quem deseja contribuir financeiramente, de modo a ajudar no custeio de despesas básicas dos estudantes envolvidos nesta ação para Salvar o Parque Nacional pode acessar a campanha dos estudantes no site de arrecadação financeira, acessando aqui.
Para acompanhar o trabalho dos estudantes, acesse a página no facebook: https://www.facebook.com/expedicaoserradacapivara/


Com informações de: Portal O Dia, OGlobo, Teresina FM, Instituto Humanitas Hunisinos,
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