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Produtores rurais do Brasil querem plantar mogno africano para aumentar faturamento

 
Produtores rurais de todo o País participam do seminário, que deve gerar muitos negócios
Produtores rurais ávidos por informação. Mais de 400 participantes de todos os cantos do Brasil viajaram até Pirapora, município do norte de Minas Gerais, para prestigiar o 2° Seminário Brasileiro sobre Mogno Africano.
O auditório lotado do Centro de Convenções simbolizou o interesse que a espécie está despertando em investidores, fazendeiros e empresários que querem diversificar suas atividades.
Quem lidera o papel de embaixador da espécie nos últimos anos é o empresário do agronegócio Ricardo Tavares, que assumiu a presidência da recém-criada Associação Brasileira de Produtores de Mogno Africano (ABPMA) – Khaya Ivorensis.
Coube a ele, a tarefa de abrir o evento e dar as boas-vindas ao público. A secretária executiva da ABPMA, Patrícia Fonseca, também fez uso da palavra.
Ela aproveitou a oportunidade para homenagear, com muito carinho, pessoas que fazem parte da história do mogno africano, principalmente da espécie Khaya ivorensis, no Brasil: o empresário Gilson Leal Favarato; o professor da Universidade Federal de Viçosa, Antônio Lélis Pinheiro e um dos precursores do mogno africano no país e fornecedor de sementes, Hiroshi Okajima.
O projeto Atlântica Agro
O engenheiro agrônomo João Emílio Duarte Matias, gerente operacional da Atlântica Agro, mostrou o passo a passo do manejo da espécie no projeto conduzido por ele em Pirapora.
O processo é bastante semelhante ao de outras espécies silviculturais. João Emílio, no entanto, ressaltou a importância de um preparo de solo mais cuidadoso. "A aplicação de adubo, por exemplo, é muito importante para o arranque da muda", alertou.
Em regiões com pouca chuva, como é o caso de Pirapora, existe a necessidade de irrigação. E essa é a recomendação de João Emílio. Se a área tiver déficit hídrico, a irrigação é essencial.
Na Atlântica, são 500 hectares - todos irrigados. João Emílio também abordou, em sua palestra, o espaçamento no plantio. "Decidimos pelo seis por seis metros. Entendemos que esse espaçamento atende tanto a produtividade da planta, quanto a produtividade por hectare", explicou.
João Emílio sugeriu a pulverização da área comparando a pulverização de trator. "O hectare com avião fica em R$ 25. Com o trator esse custo sobe para R$ 36", informou. Para o engenheiro, se houver escala, a opção pela pulverização aérea sempre será melhor.
Sobre a escolha da muda, João Emílio alertou sobre o cuidado que o produtor deve ter com a origem delas. "Infelizmente tem gente vendendo mudas dizendo que é de uma espécie, mas às vezes não é", alertou.
Finalizando sua palestra, João Emílio demonstrou a expectativa da Atlântia Agro quanto à produtividade do projeto. "Pretendemos obter 188 metros cúbicos de madeira serrada no ciclo de 11 a 12 anos e depois mais 204 metros cúbicos, ao final do ciclo, com 15 e 16 anos. Ao todo serão 322 metros cúbicos, totalizando uma receita bruta de R$ 805 mil por hectare", concluiu.
O engenheiro agrônomo João Emílio Duarte Matias explicando as vantagens do mogno
Mogno e café
João Emílio abordou também o consórcio do café com o mogno: o café sombreado. Após um benchmarking realizado em países como Honduras e Costa Rica, ficou constado que os benefícios são muitos: redução da temperatura média, extensão do tempo de maturação, menor demanda hídrica, redução da incidência de ventos, aumento do teor de matéria orgânica, diminuição da bianualidade do café e aumento da rentabilidade.
Assim, a Atlântica decidiu implementar áreas de sombreamento em suas propriedades considerando, principalmente, o aumento das temperaturas em um novo contexto de condições climáticas.
A opção sugerida por João Emílio é o plantio de mudas de café em 3,5m x 0,5m e do mogno com 14m x 5m. O engenheiro apresentou uma análise de café sombreado em uma área de 100 hectares.
Segundo o estudo, o resultado líquido do mogno é de 83,5%, enquanto que o café, em um ciclo de 15 anos, deve proporcionar o resultado de 16,5%.
A chegada no Brasil
O pesquisador aposentado Ítalo Cláudio Falesi contou como a espécie chegou no Brasil. Em 1975, Falesi recebeu uma missão da Costa do Marfim e foi presenteado com algumas sementes. Segundo ele, o representante do país africano teria dito que aquilo era “o ouro do futuro”.
Em março de 1976 foram plantadas seis mudas que até hoje permanecem na sede da Embrapa Amazônia Oriental, em Belém (Pará). As árvores pioneiras, hoje com 38 anos de idade, tiveram um bom desempenho mesmo sem adubação e plantadas em solo de baixa fertilidade.
Como curiosidade, Falesi contou que em fevereiro deste ano um temporal causou a queda de uma ramificação de uma das árvores pioneiras. Segundo ele, o diâmetro médio do galho alcançou 58,75 cm. “O mesmo diâmetro que esperamos de uma árvore com 10 anos de idade”, comentou.
Segundo estimativas conservadoras do pesquisador, são aproximadamente 8 mil hectares de mogno africano plantados no Brasil, sendo 2.500 hectares somente no Pará.





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