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Setor de papel e celulose pronto para a retomada

Após ano difícil, Fibria, Suzano e Klabin largam para um trimestre melhor do que os anteriores; ações acumulam alta superior a 40%

Às vésperas da divulgação dos resultados trimestrais, as empresas do setor de papel e celulose estão melhor posicionadas em relação ao trimestre anterior. A J. Safra Corretora estima preços de celulose ligeiramente maiores devido à apreciação do dólar e volumes de exportações estáveis.
No ano, as ações acumulam valorização superior a 40%, com exceção da Suzano, que recua mais de 12% em 2012. Mas quem analisa apenas a rentabilidade anual esquece que os papéis apresentavam forte queda até meados de abril, dada às incertezas quanto à demanda mundial pela commodity e depreciação da divisa americana. “O pior já passou, mas essas empresas dependem da retomada do crescimento econômico”, destaca Pedro Galdi, estrategista-chefe da SLW Corretora.
Para o analista Leonardo Alves, da J. Safra Corretora, o destaque fica por conta do desempenho positivo do mercado doméstico de papel, beneficiando, neste trimestre Klabin e Suzano. “A Klabin deve reportar os melhores resultados entre as companhias sob nossa cobertura. Estimamos que papelão e papel ondulado apresentem sólido crescimento em 12 meses devido ao mercado doméstico mais aquecido”, diz o especialista, ressaltando a preferência pelas ações preferenciais da companhia.
Quanto à Fibria, a receita deve ser impactada pelo volume estável de vendas e preços em reais ligeiramente melhores. O analista diz que custos devem permanecer em patamares altos, pois o trimestre passou por duas paradas para manutenção, em Três Lagoas e Jacareí. Com este cenário, Alves estima uma melhora de 8,2% no Ebitda do terceiro trimestre. “Vemos a Fibria bem posicionada para obter geração de caixa e atingir sua meta de desalavancagem.”
Para a Suzano, a expectativa é de volumes estáveis de celulose em relação ao segundo trimestre e preços em dólares ligeiramente melhores para este segmento, mesmo considerando um efeito positivo da variação cambial. No segmento de papel, ele prevê um bom desempenho de vendas, devido especialmente aos preços melhores de papel cartão. “Custos de caixa devem permanecer altos decorrentes da parada programada para manutenção no trimestre”, diz, lembrando que o mercado deve estar atento na alavancagem.
Cautela
Apesar da valorização acumulada no ano, a agência de classificação de risco Fitch Ratings chama a atenção para a possibilidade de alteração da qualidade do crédito das companhias de celulose de mercado nos próximos dois a três anos, graças ao excesso de oferta, crise na zona do euro e novos projetos.
“O ano de 2012 tem sido difícil para as empresas de papel e celulose da América Latina. A demanda por celulose foi baixa, o que resultou em um fraco ambiente de preços. A dívida se elevou em termos absolutos e relativos devido ao fraco fluxo de caixa operacional durante os primeiros nove meses do ano”, afirma Joe Bormann, diretor-executivo de empresas da Fitch na América Latina. Essa análise levou a Fitch a alterar para negativa a perspectiva para o setor.
Ainda segundo Bormann, pressões sobre o custo devem continuar, ou até se intensificar, em 2013 e 2014, à medida que a oferta de celulose de mercado de fibra curta aumente, devido à entrada em operação de três fábricas de celulose na América do Sul. “Na ausência de fechamentos ou de paradas programadas coordenadas, o fluxo de caixa livre pode continuar sobre pressão. Os administradores podem precisar tomar iniciativas proativas para evitar rebaixamentos”, afirma.
Fonte: Painel Florestal/Brasil Econômico

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